Acórdão 0001954-64.2025.5.10.0014
- Julgamento:
- 04 de maio de 2026
- Órgão:
- 1ª Turma
- Relator(a):
- FLAVIA SIMOES FALCAO
Íntegra da ementa.
DIREITO DO TRABALHO. DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO. RECURSO ORDINÁRIO. LIMITAÇÃO DOS VALORES DA INICIAL. CARGO DE CONFIANÇA (ART. 62, II, DA CLT). GERENTE DE LOJA. SUBORDINAÇÃO A GERENTE REGIONAL. CONTROLE INDIRETO DE JORNADA (ALARMES). COMPENSAÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO COM HORAS EXTRAS. SÚMULA 109 DO TST. RECURSO NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME: Recurso ordinário interposto pela reclamada contra sentença que: a) afastou a limitação da condenação aos valores estimados na petição inicial; b) descaracterizou o cargo de confiança de "Gerente de Loja Júnior", condenando a ré ao pagamento de horas extras e intervalos; e c) indeferiu a compensação da gratificação de função com as horas extras devidas. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO: As questões em discussão consistem em saber: 1) se os valores indicados nos pedidos da petição inicial limitam o montante da condenação na fase de liquidação; 2) se o exercício da função de gerente de loja, com percepção de gratificação, atrai a exceção do art. 62, II, da CLT, mesmo havendo subordinação hierárquica e controle indireto de horários; e 3) se é lícita a compensação do adicional de cargo de confiança com o valor das horas extras deferidas. III. RAZÕES DE DECIDIR: Limitação da Condenação: Após a Lei nº 13.467/2017, a indicação de valores na petição inicial possui natureza de mera estimativa do conteúdo econômico da demanda, servindo para fixação do rito e alçada, mas não vinculando o juízo na fase de liquidação (Art. 12, § 2º, da IN 41/2018 do TST). Cargo de Confiança: Para o enquadramento no art. 62, II, da CLT, exige-se autonomia plena e poderes de mando e gestão (requisito subjetivo). No caso, a prova oral demonstrou que o autor era subordinado a um Gerente Regional, tinha seu horário controlado via sistema de alarme, não possuía autonomia para admitir ou demitir e necessitava de autorização para ausentar-se. A submissão a controle de jornada, ainda que indireto, e a ausência de fidúcia especial descaracterizam a exceção legal. Compensação/Dedução: A gratificação de função visa remunerar a maior responsabilidade do cargo, enquanto as horas extras remuneram o tempo de labor excedente. Possuem fatos geradores e naturezas jurídicas distintas. Aplica-se, por analogia, a Súmula nº 109 do TST, que veda a compensação do salário relativo a horas extraordinárias com o valor da gratificação de função. IV. DISPOSITIVO E TESE: Recurso ordinário conhecido e não provido. Tese de Julgamento: I. Os valores indicados na petição inicial são estimativos e não limitam o quantum debeatur apurado em liquidação de sentença. II. O empregado denominado "gerente", mas que sofre controle indireto de jornada e não detém autonomia para atos de gestão de pessoal (admissão/demissão), não se enquadra na exceção do art. 62, II, da CLT. III. É incabível a compensação da gratificação de função com as horas extras, ante a diversidade de naturezas jurídicas das parcelas (Súmula 109 do TST). CLT, arts. 62, II, 791-A e 840, § 1º; TST, Súmula 109, Súmula 338 e IN 41/2018.
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